Sete edições de sucesso. A próxima pode começar consigo!
Os dados têm respostas. Aprenda a fazer as perguntas certas.
Portugal dispõe de políticas e programas consolidados em várias áreas da prevenção, mas continua a enfrentar um desafio decisivo: transformar estratégias e conhecimento em implementação efetiva, equitativa e mensurável. Esta é uma das principais conclusões do projeto +Prevenção, desenvolvido pela Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade NOVA de Lisboa (ENSP NOVA) e pelo NOVA Center for Global Health (NCGH) da NOVA Information Management School (NOVA IMS), cujos resultados foram apresentados na CNN Portugal Summit | Fórum + Prevenção, na Reitoria da Universidade NOVA de Lisboa.
O European Health Prevention Index (EHPI), desenvolvido no âmbito do projeto, avaliou a implementação de 22 políticas prioritárias em 11 países europeus. Portugal obteve 55,3 pontos em 100, muito próximo da média dos países analisados, de 55,6 pontos, ocupando a 7.ª posição. No entanto, apenas 40,9% das políticas avaliadas no país apresentam níveis elevados de implementação.
Portugal apresenta resultados particularmente positivos nas áreas da Imunização e do Rastreio, embora persistam oportunidades de melhoria, nomeadamente na vacinação ao longo do ciclo de vida, na participação nos programas de rastreio e na redução das desigualdades de acesso. Em contraste, a Educação para a Saúde e Literacia em Saúde e a utilização de Dados e Inteligência Artificial surgem entre as áreas com menor nível de implementação.
Para Sónia Dias, diretora da ENSP NOVA, os resultados mostram a necessidade de uma mudança mais profunda na forma como a prevenção é integrada no sistema de saúde.
“Não podemos continuar a pensar a sustentabilidade do sistema de saúde apenas a partir da sua capacidade de responder à doença. Precisamos de um SNS forte e capaz de cuidar na doença, mas também capaz de produzir saúde, antecipar riscos e prolongar os anos de vida vividos com qualidade. O estudo mostra-nos que o desafio já não é apenas saber o que funciona: é conseguir passar à ação e implementar melhor, avaliar o impacto que estamos efetivamente a produzir e medir não apenas a despesa, mas o acesso, a equidade, os resultados e o retorno do investimento”, afirma.
Num dos países mais envelhecidos da Europa, os cuidados preventivos representavam, em 2023, apenas 2,3% da despesa corrente em saúde, abaixo da média europeia de 3,7%. O estudo alerta, contudo, que estes números poderão não refletir todo o investimento realizado. Entre os especialistas consultados, 88,2% consideram que a despesa em prevenção reportada em Portugal está subestimada, já que parte da atividade preventiva está integrada na prestação habitual de cuidados e outra acontece fora do setor da Saúde.
Educação, ambiente, habitação, emprego, proteção social, urbanismo, autarquias ou organizações comunitárias têm também impacto direto na saúde das populações, reforçando a necessidade de pensar a prevenção de forma intersetorial e para além das fronteiras tradicionais do sistema de saúde.
“Na verdade, a prevenção exige uma mudança de paradigma: mais do que nos centrarmos na doença, investir na prevenção é criar condições para se viver mais e melhor, com maior autonomia, qualidade de vida e bem-estar, contribuindo também para reforçar a sustentabilidade dos sistemas de saúde. A prevenção tem de deixar de ser encarada como uma despesa e passar a ser reconhecida como um investimento estratégico que gera valor para as pessoas e para o sistema de saúde, mas, acima de tudo, para a sociedade e para o país”, acrescenta Sónia Dias.
Para os investigadores, Portugal deve, por isso, evoluir de uma lógica centrada apenas na despesa para uma lógica de investimento e valor, relacionando os recursos aplicados com indicadores de acesso, cobertura, equidade, resultados em saúde e retorno do investimento. Melhorar os sistemas de informação e os mecanismos de monitorização será também essencial para conhecer com maior rigor quanto se investe em prevenção e que impacto é alcançado.
O projeto reforça ainda uma dimensão central da missão da ENSP NOVA: aproximar a produção de conhecimento da decisão e da prática. “A academia não deve limitar-se a produzir evidência. Tem também a responsabilidade de a transformar em instrumentos úteis para a decisão, apoiar a implementação, avaliar o que funciona, em que contextos, e medir o seu impacto. É nesta aproximação entre investigação, políticas públicas e prática que queremos continuar a posicionar a ENSP NOVA”, sublinha Sónia Dias.
Sobre o +Prevenção
O +Prevenção é um projeto de investigação desenvolvido pela ENSP NOVA e pelo NOVA Center for Global Health da NOVA IMS, com o objetivo de reforçar a prevenção como prioridade das políticas de saúde. Integra uma Framework de Políticas Públicas de Prevenção, o European Health Prevention Index e uma análise do Enquadramento Económico da Despesa em Prevenção em Portugal, procurando produzir evidência que apoie a definição de prioridades, a implementação de políticas e decisões de investimento mais informadas.
Consulte relatório final síntese aqui: https://qrco.de/bh2Vxr
No próximo dia 14 de outubro de 2026, o projeto europeu NEMESIS irá realizar um workshop internacional gratuito intitulado “NEMESIS Stakeholder workshop: Metabolic disruptors – bridging science to policy“. O evento, que decorrerá em formato online e em inglês, entre as 8h30 e as 11h30 (hora de Lisboa), tem como principal objetivo reunir investigadores, decisores políticos e outros parceiros sociais para discutir de que forma os químicos que interferem com o metabolismo (os chamados químicos disruptores metabólicos) afetam a saúde humana.
A equipa de investigação da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) da Universidade NOVA de Lisboa terá uma participação neste fórum europeu, com uma comunicação que explorará as necessidades de comunicação dos cidadãos sobre a exposição aos químicos disruptores endócrinos.
O workshop focar-se-á nos resultados científicos mais recentes e em como este conhecimento emergente pode traduzir-se em decisões práticas e na formulação de políticas de saúde e ambiente mais eficazes. O programa inclui apresentações curtas por especialistas de renome internacional e sessões de debate aberto, promovendo uma reflexão conjunta sobre a aplicação prática do conhecimento científico no mundo real.
Para os investigadores da ENSP, este evento representa um marco crucial no diálogo entre a academia e a sociedade:
“Este workshop é uma oportunidade de estabelecermos uma ponte direta entre a ciência que desenvolvemos nos laboratórios e as políticas que protegem os cidadãos. Na nossa apresentação, vamos focar-nos precisamente em como a comunicação de ciência pode capacitar as populações, transformando a consciencialização em ações concretas para reduzir a exposição aos químicos disruptores endócrinos (EDCs).”, afirma Cristina Godinho, professora da ENSP NOVA.
O evento é aberto ao público e destina-se a um público diversificado: investigadores e académicos; decisores políticos e reguladores; stakeholders e parceiros setoriais de diferentes indústrias e organizações não-governamentais; cidadãos e estudantes interessados no impacto dos disruptores endócrinos na saúde metabólica e no ambiente.
Os participantes terão a oportunidade de não só conhecer os mais recentes resultados do projecto NEMESIS, como novas ferramentas e metodologias que estão a ser desenvolvidas no setor para a avaliação do risco de exposição a estas substâncias e poderão participar no debate, partilhando as suas perspetivas e ajudar a moldar as futuras direções da investigação e das políticas sobre produtos químicos na Europa.
Podem consultar o programa completo e aceder ao link de acesso (disponibilizado mais próximo da data de realização) através deste link: https://www.nemesis-project.eu/stakeholder_workshop_14oct2026/
Na terceira edição da iniciativa internacional BIP PROTECT, promovida no âmbito do programa ERASMUS+ – Blended Intensive Program (BIP), seis alunas da Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade NOVA de Lisboa (ENSP NOVA), acompanhadas por Paulo Sousa, docente da Escola, participaram na componente presencial do curso que decorreu em Lahti (Finlândia), acolhida pela LAB University of Applied Sciences, na sequência de uma fase preparatória desenvolvida em formato online entre junho e agosto.
Organizado em parceria por um consórcio de universidades europeias, LAB University of Applied Sciences (Finlândia), a Hochschule RheinMain (Alemanha), a Universidade Miguel Hernández (Espanha) e a ENSP NOVA (Portugal), o programa, que decorreu de 7 a 11 de setembro, reuniu estudantes de diversas áreas (saúde, gestão e economia) para aprofundar competências em “Risk management and Patient Safety”.
À semelhança das edições anteriores, o programa combinou sessões teóricas e componentes práticas intensivas, focando-se em:
A iniciativa reforçou o papel da cultura de segurança e da gestão proativa do risco como pilares fundamentais da qualidade em saúde, promovendo as dimensões de estrutura, processo e resultados e incentivando o alinhamento com os Objetivos Internacionais de Segurança do Doente.
As sessões dedicadas ao intercâmbio de conhecimentos sobre a organização dos diferentes sistemas de saúde europeus foram centrais. No decorrer dos trabalhos, a delegação da ENSP NOVA apresentou o modelo de estruturação da Qualidade e Segurança do Doente em Portugal, devidamente enquadrado no âmbito do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e do sistema de saúde português. Simultaneamente, os participantes nacionais analisaram as realidades vigentes na Alemanha, Espanha e Finlândia através das exposições proferidas pelos parceiros internacionais. Este exercício de reflexão proporcionou uma análise comparativa aprofundada que permitiu mapear desafios transversais à escala europeia e disseminar boas práticas com potencial de transposição e melhoria contínua nos diversos contextos.
“Esta semana presencial foi determinante para consolidar a aprendizagem teórica do programa, permitindo transpor os conceitos de segurança do doente para cenários reais e complexos. O trabalho colaborativo com especialistas e profissionais de vários países proporcionou uma visão genuinamente multidisciplinar. Esta vivência não só enriqueceu a minha formação, como permitiu adquirir ferramentas críticas essenciais para liderar e implementar uma cultura de segurança sustentável no meu futuro exercício profissional”, partilhou Mariana Gonçalves, uma das seis alunas da ENSP NOVA presentes nesta edição, que faz um balanço altamente positivo da participação.
A edição de 2026 da Summer School BIP PROTECT volta a evidenciar o valor de uma abordagem integrada, transnacional e multidisciplinar no ensino superior, consolidando o compromisso da ENSP NOVA na capacitação de futuros líderes para a construção de sistemas de saúde mais seguros, resilientes e sustentáveis.
Dando continuidade ao sucesso desta rede de colaboração internacional, ficou definido que a próxima edição da Summer School será organizada e acolhida pela ENSP NOVA, realizando-se em Lisboa, entre os dias 27 de setembro e 1 de outubro de 2027.